120Km/h. Chovia, mas isso não desanimava o pequeno grupo de estudantes que seguiam em um ônibus fretado até as montanhas rochosas da Patagônia. Tudo estava bem. Dentro do ônibus os estudantes confraternizavam em longas e animadas conversas embaladas por musica e cantoria. Mais nem todos estavam felizes. Sentados proximos ao meio do ônibus, um casal discutia:
- Você é muito teimosa, Mariana. Disse o rapaz enquanto encostava a cabeça junto ao vidro da janela
- Eu?! Disse Mariana em fúria. -Você que não consegue ser realista Walter
- Realista?! Ora por favor você aje como uma criança, não sabe esperar e é impulsiva e eu é que não sou Realista?!
Mariana virou-se para encara-lo de frente. Seu rosto estava corado de fúria, seus olhos pareciam armas apontadas para Walter e seus dentes cerrados pareciam facas que rangiam num tilintar insuportável
- Você é ridículo... Nunca posso fazer as coisas do meu jeito. É tudo sempre do seu jeito frio, calculista e sem emoção. Me pergunto o que eu vi em você?
-Walter abriu um leve sorriso ironico. Na verdade vê-la contrariada era uma diversão para ele
sem pressa, como para irrita-la continuou.
- Por quê?! - disse envolvendo o rosto pequeno e frágil de Mariana com as mãos, fazendo assim com que ela olha-se em seus olhos - Você gosta de mim porquê no fundo você sabe que não exerce controle sobre mim...
-Você é que pensa...
-Walter riu. No fundo sabia que era verdade, mas manteve as mãos firmes sobre o rosto dela. Moveu as mãos e encontrou seus cabelos que exalavam um incofundível perfume, agarrou-os com força e puxou para junto de si. Mariana aproximou-se devagar desafiando-o, na verdade ela amava aquele jogo, que o irritava. Fechou os olhos e sentiu seu nariz tocar o dele, derrepente sente-se uma batida...
A chuva causava uma batida entre o ônibus e um caminhão, fazendo com que o primeiro derrapasse e ficasse pendurado entre a estrada e o desfiladeiro
Mariana acordou e olhou para frente. Só conseguia ouvir gritos e enxergar sangue.
Viu que a maioria dos colegas estavam desacordados.
Naquela altura não poderia julgar se estavam vivos ou mortos. Seu instinto foi procurar por Walter.
Olhou para o lado e viu que ele estava pendurado para fora do ônibus, prestes a cair no precipício, Mariana levou a mãos a cabeça que latejava de dor e percebeu que esta sangrava sentindo o sangue escorrer quente pelo seu corpo. Ela gritou por Walter. E este pediu ajuda: Mariana disse:
-Vou tirar você daí. Vamos segure a minha mão!
Walter fazendo prontamente o que Mariana pediu segurou em sua mão e ela o puxava com toda a sua força. Ele exclamava:
-Vamos você vai conseguir! Não desista! você é forte.
Mariana era anestesiada pela dor, ela continuava puxando-o, mais a chuva fina fazia com que ele escorrega-se.
A cabeça de Mariana ainda latejava e aos poucos suas vistas foram escurecendo, ela desmaiava.
Presa ao cinto de segurança, ela ficou pendurada de cabeça para baixo, desacordada; Walter também preso ao cinto, notou que o mesmo estava se rompendo, e só havia uma escolha.
Reuniu suas ultimas forças balançou-se e jogou Mariana para dentro do ônibus, mas o cinto não resistiu o impulso de Walter e ele sem ter escolha despenca do ônibus sendo engolido pelo precipício.
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Acordara assustudo, estavá pingando de suor.
Durante semanas, não conseguia dormir, pois o mesmo sonho o atormentava, e a cada dia que passava esses sonhos se tornavam mais e mais reais.
Ainda sentado na cama, colocou a mão sobre a cabeça, essa parecia querer explodir, então se levantou calmamente, e respirando fundo se dirigiu até o banheiro, ao olhar no espelho viu que os seus olhos estavam vermelhos de sangue, e que a sua situação estava piorando paulatinamente; quando ia aplicar o soro, ouviu o telefone tocar. E prontamente atendeu e disse:
-M falando.
-Senhor encontramos.
Ele demonstrando surpresa na notícia respondeu:
Ele demonstrando surpresa na notícia respondeu:
-Estou descendo.